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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Capítulo 12 - Minha primeira roupinha!

Minha primeira roupinha
Após a cirurgia para correção do canal arterial a minha pequena Mariana estava muito bem. Eu comentava com as outras mães que estava começando a enxergar a luz no fim do túnel. O que me preocupava no momento era a voz da Mariana que ao chorar não emitia nenhum som. Esperei os 15 dias conforme os médicos haviam comentado e aos poucos o choro dela ia aumentando. Num belo dia de manhã, recebi a noticia da Chefa de Enfermagem, Marcia,  que provavelmente a Mariana iria sair da incubadora. Eu imaginava que ela iria sair de lá para casa. Mas a Marcia tinha explicado que não podia ser desta maneira, pois a vida dentro de uma incubadora é totalmente diferente e que a Mariana deveria passar pela adaptação. Fiquei super feliz em saber disso, pois se a Mariana fosse para o berço comum, eu estaria mais próxima dela, podendo pega-la e trocá-la. No mesmo dia algumas horas depois a enfermeira Viviane veio com a noticia que seria naquele mesmo dia a transferência da Mariana para o berço comum.  Fiquei tão emocionada, eu já estava esperando por esse dia e por isso coloquei as roupinhas dela na minha bolsa e todos os dias levavam para o hospital. Foi muito bom poder dar o primeiro banho na Mariana, estava concentrada em fazer tudo certinho para não
machucá-la. Ela usava a sonda para comer então tinha que tomar o cuidado para não puxar. Deu tudo certo e foi ótimo ver a Mariana no berço. Esperei a visita dos avôs que era sempre as 16h00minhs para eles verem com os próprios olhos que a Mariana estava bem. Agora estávamos na reta final, e para alcançar a linha de chegada a Mariana teria que aprender a mamar nos seios ou mamadeira e a respirar sem auxilio do oxigênio (que ficava ao lado do berço dela). Quando tudo andava para o caminho final, percebi que tinha algo errado, pois em um dia as enfermeiras trocaram três vezes o oximetro (mede o batimento cardíaco e respiratório). As quedas eram muito rápidas, mas não sabiam se era o aparelho ou a Mariana que provocava as quedas dos índices, chegando até 30 batimentos por minutos (índices de criança que já esta parando). Foi quando eu percebi que a Mariana forçava para respirar emitia um som como se tivesse asma, e na seqüência o aparelho apitava avisando a queda. Ou seja, ela estava tendo algumas paradas respiratórias. Avisei as enfermeiras e logo a Dra. Cristina e a Dra. Vera pediram alguns exames de sangue para verificar se era anemia, ou se seria necessário fazer transfusão de sangue.
Bom... Graças a Deus não era anemia, pois passar por mais uma transfusão de sangue era o que eu não desejava naquele momento. Sei lá, só de pensar que iria ter que achar a veia da Mariana e para isso teriam que furar, cutucar ai ai ai! Então foi levantada a suspeita que ao entubar a Mariana para realizar a cirurgia, possivelmente poderia ter machucado a laringe ou as cordas vocais. Então foi marcado o exame de laringoscopia para a Mariana. No dia do exame não sai de perto do berço da Mariana, não queria estar longe dela. A médica ao chegar à UTI me explicou o procedimento do exame. A Mariana não seria sedada, pois ela precisava chorar para ser mais bem avaliada. Na sala estavam às pediatras Dra Cristina e Dra. Fátima a Tec. Enfermagem Kely e eu. A Mariana ficou no meu colo sentada, e a médica pediu para segurar um tubo na boca da Mariana para que ela passasse um cabo, que tinha uma lente de aumento na ponta, até a garganta da Mariana. Quando começou o exame a Mariana chorava muito. A Kely controlava o oxigênio, a Dra. Cristina segurava o aparelho de oxigênio, Dra. Fátima acompanhava o exame e a médica responsável pelo exame começava a executar a avaliação. Eu fiquei tão nervosa que apertava os dentes. A Dra Cristina me avisou que eu não precisava ficar que elas poderiam  fazer o exame.
 
”Mas na hora respondi para mim em silencio: -” Eu tenho que ficar aqui do lado dela, é o mínimo que posso fazer. “Se ela esta passando por tudo isso eu quero estar do lado, não seria covarde de dar as costas para ela.” Bom terminado o exame, a médica me explicou o que vi para falar a verdade eu não entendi nada. Eu estava com medo que a Mariana iria ficar muda. Então esperei meu esposo Flávio chegar para pedir novas explicações. A Dra. Cristina explicou e mais 10 pessoas até que um dia eu entendi que um lado ficou machucado devido a entubação e que só o tempo iria dizer os próximos passos. Fé em Deus estamos na reta final e com certeza ele estava conosco.
Tem mais coisa pela frente só falta a parte da amamentação e desmamar do oxigênio. Ufa!