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sábado, 4 de junho de 2011

Capitulo 7 - Quando morre um bebê

Orando sempre para o bom sono de Mariana
Ah! Eu vivia perguntando porque isso, porque aquilo , mas a verdade é que não entendia nada. Na sala da ordenha as mães que já estavam a mais de 20 dias com seus bebes internados, já falavam de saturação, oximetro, apinéia palavras que não faziam o maior sentido.
Na UTI tinham varias mães tinham dois tipos de mães as desesperadas e as choronas. Eu fazia parte das mães choronas. Mas tinha uma mãe que estava deixando todo mundo louco. Na verdade ela tinha medo que coisas acontecessem com sua filha  e assim quase todos os dias tinha reunião com enfermeiras e médicas. Lembro que uma das preocupações era de alguma profissional deixar o bebê cair, dar medicação errada, etc. Uma vez a Mariana teve que tomar sangue devido a anemia, com isso ela tinha dificuldades para respirar tendo  algumas paradas respiratórias. Logo, a mãe stress achou que o bebe dela tinha a mesma coisa. Essa mãe era muito engraçada, pelo sotaque do sul ela fazia varias piadas da situação. Ela inventou a dança dos peitinhos para ter mais leite, simulou uma fuga com o bebê dentro da bolsa, mas tinha essas neuroses que deixava as outras mães desesperadas.
Minha tranqüilidade foi acabando quando um bebê que era prematuro extremo faleceu.  Ele fez a cirurgia para correção do canal que liga o coração e o pulmão, porém não agüentou. Não sei ao certo o que aconteceu, só sei que três dias depois do acontecido à limpeza da UTI redobrou. Foi limpeza completa do teto ao chão não escapou nada. E depois de tudo limpo, passaram dois dias passando álcool. A Mariana e as gêmeas de 24 semanas foram isoladas e dali para frente às emoções aumentaram.
Mariana tinha altos e baixos, um dia o Dr. Paulo veio muito contente falar que o canal  tinha diminuído para 1.4 mm eu olhei para cara dele e falei que bom. E perguntei posso fazer o canguru hoje. Ele disse: “- Essa informação é melhor que canguru.” Na hora não entendi nada.
Passaram dias, não sei quanto, pois uma das coisas que fiz foi esquecer o tempo, não ter contato por telefone com ninguém. Essa decisão de não atender telefone foi tomada em conjunto com meu esposo. Eu atendi uma ligação de uma amiga e tentando explicar que eu estava bem, ela insistia  em dizer que estava mal e que tinha que superar a situação. Dali para frente não quis saber de apoio de ninguém. Pois, só aumentava o meu sofrimento e isso poderia secar o leite. Ah! tudo era para o leite, se eu comia bem, dormia bem, fazia parte do leite aumentar. Vai uma dica para aquele que tem algum amigo ou familiar passando por situações como essa. Ofereça apoio não tente sentir o que o outro esta passando, pois nunca saberá o que é a não ser que você tenha passado pela mesma situação.
Aos amigos e colegas que entenderam isso, muito obrigada! Aqueles que queriam saber noticias através do Flavio, saibam que não foi fácil para ele ter que trabalhar e falar a mesma historia 5 ou 8 vezes por dia. Sim, pois graças a Deus temos muitos amigos e colegas, mas nessas horas uma mensagem de força é o suficiente!

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