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sábado, 4 de junho de 2011

Capitulo 6 - Mãe Canguru, mãe onça, mãe vaca

Leite na seringa - 15ml para Mariana
Imaginem vocês uma sala com várias mães com os seios de fora e neles conectados uma ordenha que sugava o leite. Ah! para aumentar a imaginação coloque um som de chuk, chuk. Essa era a sala de ordenha. Esta sala era mais que tirar leite e se sentir uma mãe vaca. Ela servia também para tirar dúvidas, falar dos acontecimentos dos nossos filhos e quase virou um Comitê das Tetas Valentes, sim porque tinhamos o espirito de ajudar nas dúvidas de outras mães. Lembro uma vez que uma mãe estava para ser retirada da UTI Neo, pois o convenio queria transferir o bebê prematuro extremo, entubado para outro hospital. Ah! Todas nos ficamos valente, falamos para ela procurar a assistente social da empresa do esposo e assim intervir com a atitude do convenio, falar com advogado do sindicato da empresa, enfim movimentar o pessoal para não tirar o bebê do hospital, pois tinha o risco muito alto. Deu certo ela fez o que sugerimos e eles ficaram no hospital.
Mãe canguru vocês já virum o que é! Eu ficava com a Mariana durante 2 horas  no peito ficavamos somente de avental para ter o contato de pele com os bebês. Com isso, a Marianas aprendia o ritmo de respiração, sentia o meu calor e assim uma evolução de desenvolvimento rápido.
Comecei a espalhar a minha oração do leite para as mães que tinha o pensamento negativo! Falava que não podia pensar desta forma e coisa e tal. Depois de uns 15 dias, acredito que já estava um mês lá e muitas mães vinham falar comigo.
Uma vez estava jantando quando uma mãe sentou na minha frente e foi logo se apresentando, sou mãe da UTI Pediatrica, meu filho já esta aqui a um mês esta semana ele vai fazer uma operação no intestino, sou de BH e sei que estou no melhor hospital. Imagina como ficou minha cabeça, não consegui abrir a boca, terminei de jantar e sai. Não perguntei o nome dela, fiquei chocada com a historia do filho dela que tinha 5 anos e já tinha feito mais de 10 cirurgias. Detalhe foi prematuro extremo, ficava só pensando: -" Cada criança tem uma historia, Mariana terá a dela".
Numa ordenha e outra encontrei uma mãe chorando sozinha na sala. Perguentei se o bebê dela tinha nascido no hospital eu vinha pelo surto da bronquiolite. Ela disse que tinha acabado de nascer e que tinha recebido alta do hospital mas o bebe iria ficar para tomar banho de luz. Ela estava se culpando me disse que não entendia o que os médicos falavam. 
Foi quando percebi que o sentimento das mães passam por um processo: Primeira parte: nós chegamos na UTI querendo saber se nossos filhos estão vivos, depois nos culpamos por eles estarem sofrendo numa UTI, afinal de contas se não tivessemos subido escada, trabalhado demais,  dançado, tomado banho no frio e outras bobagens que tivemos que escutar, nossos filhos não estariam adiantado o nascimento.
Depois de nos convencer de que não tinhamos culpas vem o processo de entender o porque de tudo aquilo.
Continuando, a mãe que estava conversando era formada em psicologia e morava em BH. Eu expliquei para ela da forma como entendia, afinal, a Mariana teve que fazer o banho de luz duas vezes e o que os médicos falavam: -" Coisas de prematuro!" 
Expliquei para ela que o fígado do bebê as vezes demorava a perceber que tem que trabalhar, que a vida na barriga da mãe já tinha acabado e estava por conta dele agora as funções do bem estar do bebê. A mãe ficou tão feliz com a minha explicação, que parou de chorar e pediu para não deixar de falar com as outras mães que eu encontrava pela frente! Que eu tinha ajudado muito ela! Na verdade eu fiquei até na dúvida se tinha ajudado mesmo. Mais tarde comentando isso com o meu esposo Flávio, ele deu a ideia de escrever o blog e assim poderia contribuir com alguma coisa!

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