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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Capitulo 10 - A primeira Apneia a gente nunca esquece!

Cuidados da equipe Santa Catarina
Depois de um tempo consegui identificar quem era médico pediatra, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, psicologos, fonoaudiologos, nutricionistas. Era uma equipe enorme e os cuidados eram maravilhosos com os bebes.O carinho com o trabalho tudo era perfeito. Os médicos  falava que ela estava estável, que o canal Arterial  estava se fechando que só precisava esperar para engordar e ir para casa. Na verdade eles explicavam mais coisas, mas para mim era um cinema mudo. Para cada coisa que explicavam eu pedia para repetir umas dezenas de vezes para entender, claro para pessoas diferente. Mas numa tarde que estava com Mariana fazendo o canguru, dei uma relaxada e acabei dormindo. Era uma terapia para mim e sei que a evolução rápida da Mariana era graças ao pensamento positivo e aos cangurus. Estava de olhos fechados com ela nos braços, quando escutei a técnica em enfermagem Carla falar; - “ Ela esta rosada, não esta roxa”. Abri os olhos e estavam falando da Mariana, ela tinha parado de respirar e eu não tinha percebido. A primeira apnéia a gente nunca esquece. Ela voltou a respirar e deste dia em diante deixei de ser tão alienada e passei a entender melhor o quadro clinico de Mariana.
Depois dessa outras apnéias vieram, até fazerem o exame e constatar que o canal Arterial tinha aumentando e isso fazia com que o pulmão encharcasse de sangue e dificultasse a respiração. Lembro quando a Dra. Cristina, após examinar a Mariana por rotina, disse do canal que a chance de fechar via medicamento será um milagre e que eu deveria avisar todos da familia para rezar, senão já sabe o que iria acontecer....CIRURGIA!
Mariana tomou a dose do remedio durante 3 dias, era uma tentativa, pois esse procedimento era feito para crianças com até 10 dias de nascido e a Mariana já estava no 15º dia de vida. Eu tinha certeza que não era necessario a operação e naquela semana o canal havia diminuido. Estava esperando a Dra. Cristina no plantão dela e fiz questão de esperar para saber  a opinião dela. Na verdade estava com a resposta na boca, rsrrr ; - " Pois é Dra. eu rezei e não será necessario operar!". Naquela semana o Padre José fez uma visita a Mariana, fizemos uma oração juntos. Ele perguntou de como estava. E eu disse: -" Estava com suspeita de que iria operar mas Graças a Deus não será necessario".
No mesmo dia da visita do Padre José, veio uma pediatra examinar a Mariana para o pré- operatório. Achei que fosse uma fisioterapeuta que iria fazer exercícios, achava que não seria necessária a cirurgia. Foi um choque saber naquele momento que o exame já era para definir a necessidade de correção via cirurgia.   
Sai da UTI muito triste, pensava apenas num lugar para chorar muito. Foi quando no corredor do hospital encontrei com uma mãe que estava com a filha na UTI Pediatrica, não sabia o nome dela, mas saiba que era a mãe da Alice. A mãe da Alice me parou no corredor e perguntou como estava a Mariana. Pensei duas vezes em responder, mas precisava falar com alguém naquele momento, antes mesmo de passar a noticia para o meu esposo. Falei para ela que a Mariana estava bem, mas terá que fazer uma cirurgia para a correção do canal Arterial próximo ao coração. Foi quando ela disse: -“ Não fique preocupada, essa cirurgia é uma das mais simples do coração. Minha filha já fez duas cirurgias e semana que vem fará  a ultima e mais 30 dias estaremos em casa”. Ela falou de uma forma tão firme e segura que fiquei calma naquele momento e pensei vai ser melhor para Mariana. Depois desta conversa, achei um banheiro desocupado e chorei muito. Após este momento, achei que estivesse pronta para passar a informação para o Flávio por telefone, já que precisavamos tomar algumas decisões.
Eu decide ligar para o meu esposo e passar a informação que a Mariana iria passar por uma cirurgia. Não preciso nem falar o que aconteceu, né! Comecei a chorar e não consegui concluir o raciocínio. Parecia a Chiquinha do Chaves. Quase matei o Flavio do coração!
Segue um video para quem não conhece a Chiquinha chorando,rsrsrs

Capitulo 9 - Musicoterapia para bebê funciona!

A primeira vez que ouvi falar de musicoterapia para bebê foi um dia antes do parto. Foi quando a psicóloga Dra. Solange veio conversar comigo e falou para preparar um CD com músicas que eu  ouvia durante a gestação. Bom! Como estava deitada numa cama achando que iria ficar um bom tempo sem fazer nada...escolher músicas seria uma atividade ótima para ocupar o tempo. Era uma atividade que levei a sério, pensando numa evolução da Mariana ao ouvir as músicas. Isso fez lembrar de um Treinamento (Arita) que fiz onde o bebê grava tudo no seu inconsciente. E a minha experiência, neste treinamento,de lembrar coisas quando eu era um bebê foi fantástica. Então pensei: "Fazer a Mariana escutar música enquanto estava numa UTI poderia ser um calmante para ela, e que no futuro não teria medo de médicos, injeções, etc." Pedi para o meu esposo Flávio colocar algumas músicas do Padre Marcelo Rossi, Stereo Love, entre outras, no total foram 10 músicas. Meu esposo escolheu uma música clássica que ele sempre ouvia antes de dormir. Ele colocava o celular em cima da minha barriga para Mariana ouvir também. Após o nascimento da Mariana, acredito que uns 10 ou 15 dias depois, prestei atenção nos serviços da Dra. Solange com os bebês. Todos os dias as 16 horas ela levava o aparelho de som e passava algumas músicas selecionadas e ficava observando os bebês! Um dia consegui falar com ela e foi quando ela pegou o Cd de músicas que eu, meu esposo, cunhada e minha irmã Lilian escolhemos. Então comecei a perguntar o porque da música para os bebês? O que faria de diferença para eles? Se eles escutavam as músicas, pois o volume estava baixo e tinha o barulho dos aparelhos apitando a todo momento. Ela disse: "A música serve para acalma-los". Perguntei: - " Como a senhora sabe que eles estão gostando?" E ela disse: "- Os movimentos corporais e com os gestos do rosto eu sei se estão gostando ou não! Se relaxam o corpo, sei que posso continuar com a música, se começam a mexer demais sei que estão incomodados, então mudo de faixa!" O repertório era muito interessante, entrava Elvis Presley, ciranda de roda entre outras. Mas quando ela colocou o CD com as músicas selecionadas por mim ela ficou surpresa e quis tirar a dúvida! Ela disse: -" Leila, tem duas faixas músicas que quando toca a Mariana fica muito agitada." Pensei comigo, agora quero ver como isso funciona, na verdade não acreditava muito no trabalho, só achava bonitinho. Ela então falou, vou colocar direto na faixa músical para ver o que irá acontecer hoje. Quando ela colocou a música, o batimento cardiaco da Mariana foi até 208 por minuto. A Dra. Solange foi abaixando a música e disse: " Eu não posso colocar essa música e nem a próxima faixa, pois ela fica muito emocionada." Eu fiquei boba de ver aquilo, pois uma das músicas era o toque do meu celular, ou seja, a todo momento ela escutava quando estava na minha barriga. E a outra faixa era a musica clássica que o Flávio escutava toda noite. Depois desta experiencia comentei com algumas mães da UTI e falei da importancia da musicoterapia. E depois deste dia comecei a conversar de verdade com a Mariana. Ou seja, explicava tudo o que estava acontecendo ao seu redor, porque as crianças estavam chorando, porque os equipamentos faziam barulhos. Eu avisava ela que iriam fazer o exame para verificar a glicose (e isso acontecia 2 a 3 vezes no dia). Era um exame que dava uma picada no calcanhar. O pé da Mariana já estava roxo sem espaço para novas picadas. Então, avisa para ela: "- Olha filha, vão dar uma picada no seu pé. Vai doer um pouco, mas é para o seu bem.!" Neste dia que fiz isso pela primeira vez, a técnica de enfermagem ficou impressionada porque a Mariana não tinha chorado. Ao picar o pé da Mariana, ela fechou os olhos bem forte e relaxou! Na sequencia eu falei: "Mariana é muito forte e sabe que é para o bem dela!". As vezes a Mariana ficava incomodada ao medir a temperatura dela e começava a chorar. Eu também, não gostava da forma como tinham feito, achei que poderia ter sido mais delicadas ao colocar o termometro. E logo comentava com ela: -"Eu também não gostei filha, mas a mãe não pode fazer nada, pois esta pessoa trabalha assim!" Então ela parava de chorar. Ah! Comecei a rezar em voz alta todos os dias de manhã quando chegava a seguinte oração: -"Filha vamos rezar juntas: papai do céu obrigada pelos médicos, enfermeiros e auxiliares por me ajudar no meu desenvolvimento. E seguia: - "Filha, Deus te abençoe e dê muita saúde."
 O resultado vinha da boca dos médicos: -" Nossa ela esta evoluindo muito rápido." "- Eu nunca ouvi o choro desta criança, ela é muito calma". Enfim, a músicoterapia me trouxe ótimos resultados, podem acreditar!
Segue o vídeo da música que levou a Mariana a 208 batimentos por minuto.

sábado, 4 de junho de 2011

Capitulo 8 - Pai Canguru - O mensageiro

Canguru com o pai
O pai também podia fazer Canguru com os filhos. Era interessante que o horario para os pais era a noite! Só dava para ser este horario, devido ao trabalho durante o dia. Então imagina vocês a UTI com varias poltronas e os pais com seus filhotes. Alguns convesavam com seu filhos em voz alta, era até engraçado!
O Flávio fez alguns cangurus com a Mariana e era importante para o desenvolvimento dela. Ela até cantarolava com o pai. Não estou louca minha gente ela ficava fazendo uns barulhinhos com a boca e falava "É, é, é, rsrrsr
Depois de alguns dias de UTI, comecei a prestar atenção ao redor nas outras famílias que estavam também com seus filhos na UTI, eram crianças prematuras, ou com hipoglicemia, ou respiração lenta, etc. E fiquei impressionada como os pais, que são os primeiros a entrar na UTI  Fiquei imaginando o Flávio ao entrar na UTI, as primeiras orientações: "- Lavar as mãos, tirar aliança e relógio colocar avental." Todos os pais entravam com a mesma cara, preocupados mas segurando firme, pois tinha a missão de falar para a esposa tudo que estava acontecendo. Lembro de um pai que estava na porta da UTI eu falei para ele entrar e chamar a Enfermeira chefe do plantão. E num desabafo ele falou: "- Não sei como vou explicar para minha esposa como o bebê esta, vou pedir para uma pediatra me acompanhar e ajudar a contar." Bom, o nenê tinha hipoglicemia iria ficar no máximo 10 dias, ficou menos que isso. Então falei para o pai; "- Fique calmo seu nene esta bem e logo vocês estaram em casa, você só precisa apoiar sua esposa com sorriso no rosto." Nem sei porque falei aquilo, mas quando vemos que o problema do outro e menor que o nosso passamos a ter força para ajudar o próximo. Na sala de ordenha nos comentamos sobre esse tema: "Os pais". Foi muito interessante, comentei que na hora das dores do parto meu esposo perguntou se eu vi o que tinha acontecido com o Japão. Uma outra mãe falou: -" Ufa, pensei que só eu tinha um esposo desligado, rsrsrr. Na hora das dores ele pedia para olhar para a camera, pois queria fazer uma foto do momento!" Ao longo do tempo, percebia que as historias eram iguais.
Meu esposo estava tão sentimental que recebeu um video que falava sobre a volta dos soldados americanos e chorava como criança ao assistir. Ele me mostrou o video, estavamos na sala de descanso do hospital, Hãn! Adivinha, comecei a chorar também! Pois, aquela imagem era o que desejamos para nós. Chegar em casa e abraçar nossa filha! Ele sempre falava: -" Vc esta aqui dentro e não sabe como esta dificil lá fora". Ele comentava da ansiedade dos familiares e amigos por noticias. Coisa que nós também não tinhamos, o máximo que tinhamos é: "- Esta reagindo como um prematura reage, esta no padrão!"
Veja o vídeo:

Capitulo 7 - Quando morre um bebê

Orando sempre para o bom sono de Mariana
Ah! Eu vivia perguntando porque isso, porque aquilo , mas a verdade é que não entendia nada. Na sala da ordenha as mães que já estavam a mais de 20 dias com seus bebes internados, já falavam de saturação, oximetro, apinéia palavras que não faziam o maior sentido.
Na UTI tinham varias mães tinham dois tipos de mães as desesperadas e as choronas. Eu fazia parte das mães choronas. Mas tinha uma mãe que estava deixando todo mundo louco. Na verdade ela tinha medo que coisas acontecessem com sua filha  e assim quase todos os dias tinha reunião com enfermeiras e médicas. Lembro que uma das preocupações era de alguma profissional deixar o bebê cair, dar medicação errada, etc. Uma vez a Mariana teve que tomar sangue devido a anemia, com isso ela tinha dificuldades para respirar tendo  algumas paradas respiratórias. Logo, a mãe stress achou que o bebe dela tinha a mesma coisa. Essa mãe era muito engraçada, pelo sotaque do sul ela fazia varias piadas da situação. Ela inventou a dança dos peitinhos para ter mais leite, simulou uma fuga com o bebê dentro da bolsa, mas tinha essas neuroses que deixava as outras mães desesperadas.
Minha tranqüilidade foi acabando quando um bebê que era prematuro extremo faleceu.  Ele fez a cirurgia para correção do canal que liga o coração e o pulmão, porém não agüentou. Não sei ao certo o que aconteceu, só sei que três dias depois do acontecido à limpeza da UTI redobrou. Foi limpeza completa do teto ao chão não escapou nada. E depois de tudo limpo, passaram dois dias passando álcool. A Mariana e as gêmeas de 24 semanas foram isoladas e dali para frente às emoções aumentaram.
Mariana tinha altos e baixos, um dia o Dr. Paulo veio muito contente falar que o canal  tinha diminuído para 1.4 mm eu olhei para cara dele e falei que bom. E perguntei posso fazer o canguru hoje. Ele disse: “- Essa informação é melhor que canguru.” Na hora não entendi nada.
Passaram dias, não sei quanto, pois uma das coisas que fiz foi esquecer o tempo, não ter contato por telefone com ninguém. Essa decisão de não atender telefone foi tomada em conjunto com meu esposo. Eu atendi uma ligação de uma amiga e tentando explicar que eu estava bem, ela insistia  em dizer que estava mal e que tinha que superar a situação. Dali para frente não quis saber de apoio de ninguém. Pois, só aumentava o meu sofrimento e isso poderia secar o leite. Ah! tudo era para o leite, se eu comia bem, dormia bem, fazia parte do leite aumentar. Vai uma dica para aquele que tem algum amigo ou familiar passando por situações como essa. Ofereça apoio não tente sentir o que o outro esta passando, pois nunca saberá o que é a não ser que você tenha passado pela mesma situação.
Aos amigos e colegas que entenderam isso, muito obrigada! Aqueles que queriam saber noticias através do Flavio, saibam que não foi fácil para ele ter que trabalhar e falar a mesma historia 5 ou 8 vezes por dia. Sim, pois graças a Deus temos muitos amigos e colegas, mas nessas horas uma mensagem de força é o suficiente!

Capitulo 6 - Mãe Canguru, mãe onça, mãe vaca

Leite na seringa - 15ml para Mariana
Imaginem vocês uma sala com várias mães com os seios de fora e neles conectados uma ordenha que sugava o leite. Ah! para aumentar a imaginação coloque um som de chuk, chuk. Essa era a sala de ordenha. Esta sala era mais que tirar leite e se sentir uma mãe vaca. Ela servia também para tirar dúvidas, falar dos acontecimentos dos nossos filhos e quase virou um Comitê das Tetas Valentes, sim porque tinhamos o espirito de ajudar nas dúvidas de outras mães. Lembro uma vez que uma mãe estava para ser retirada da UTI Neo, pois o convenio queria transferir o bebê prematuro extremo, entubado para outro hospital. Ah! Todas nos ficamos valente, falamos para ela procurar a assistente social da empresa do esposo e assim intervir com a atitude do convenio, falar com advogado do sindicato da empresa, enfim movimentar o pessoal para não tirar o bebê do hospital, pois tinha o risco muito alto. Deu certo ela fez o que sugerimos e eles ficaram no hospital.
Mãe canguru vocês já virum o que é! Eu ficava com a Mariana durante 2 horas  no peito ficavamos somente de avental para ter o contato de pele com os bebês. Com isso, a Marianas aprendia o ritmo de respiração, sentia o meu calor e assim uma evolução de desenvolvimento rápido.
Comecei a espalhar a minha oração do leite para as mães que tinha o pensamento negativo! Falava que não podia pensar desta forma e coisa e tal. Depois de uns 15 dias, acredito que já estava um mês lá e muitas mães vinham falar comigo.
Uma vez estava jantando quando uma mãe sentou na minha frente e foi logo se apresentando, sou mãe da UTI Pediatrica, meu filho já esta aqui a um mês esta semana ele vai fazer uma operação no intestino, sou de BH e sei que estou no melhor hospital. Imagina como ficou minha cabeça, não consegui abrir a boca, terminei de jantar e sai. Não perguntei o nome dela, fiquei chocada com a historia do filho dela que tinha 5 anos e já tinha feito mais de 10 cirurgias. Detalhe foi prematuro extremo, ficava só pensando: -" Cada criança tem uma historia, Mariana terá a dela".
Numa ordenha e outra encontrei uma mãe chorando sozinha na sala. Perguentei se o bebê dela tinha nascido no hospital eu vinha pelo surto da bronquiolite. Ela disse que tinha acabado de nascer e que tinha recebido alta do hospital mas o bebe iria ficar para tomar banho de luz. Ela estava se culpando me disse que não entendia o que os médicos falavam. 
Foi quando percebi que o sentimento das mães passam por um processo: Primeira parte: nós chegamos na UTI querendo saber se nossos filhos estão vivos, depois nos culpamos por eles estarem sofrendo numa UTI, afinal de contas se não tivessemos subido escada, trabalhado demais,  dançado, tomado banho no frio e outras bobagens que tivemos que escutar, nossos filhos não estariam adiantado o nascimento.
Depois de nos convencer de que não tinhamos culpas vem o processo de entender o porque de tudo aquilo.
Continuando, a mãe que estava conversando era formada em psicologia e morava em BH. Eu expliquei para ela da forma como entendia, afinal, a Mariana teve que fazer o banho de luz duas vezes e o que os médicos falavam: -" Coisas de prematuro!" 
Expliquei para ela que o fígado do bebê as vezes demorava a perceber que tem que trabalhar, que a vida na barriga da mãe já tinha acabado e estava por conta dele agora as funções do bem estar do bebê. A mãe ficou tão feliz com a minha explicação, que parou de chorar e pediu para não deixar de falar com as outras mães que eu encontrava pela frente! Que eu tinha ajudado muito ela! Na verdade eu fiquei até na dúvida se tinha ajudado mesmo. Mais tarde comentando isso com o meu esposo Flávio, ele deu a ideia de escrever o blog e assim poderia contribuir com alguma coisa!

Capitulo 5 - Torcida para aceitação do leite materno e Mãe Canguru


 O leite não era suficiente para estabelecer todas as vitaminas necessárias para o desenvolvimento da Mariana, e tinha o tempo de aceitação do leite no estomago tão pequeno de Mariana. No começo teve rejeição, ou resíduo, como eles falavam na UTI. Então foi necessário ela receber uma dieta especial que era levada através de um cateter do calcanhar até o coração da Mariana. Lembro da noite quando a enfermeira Leia trouxe essa informação e que eu tinha que assinar um termo de responsabilidade. Dali para frente começou a minha torcida para Mariana começar aceitar o leite para assim poder tirar o tal cateter. Ah! Ela teve que tomar por duas vezes banho de luz devido ao fígado que não estava fazendo suas funções. Ela ficava com os olhos vendados com aquela luz azul o tempo todo ligado.  Minha alienação era tanto que falava que já era tão nova para fazer bronzeamento artificial. Eh! Fazia algumas piadinhas para não enlouquecer. Acho que depois de uns 8 dias pude ver o rostinho da Mariana sem tanto acessórios.
Numa manha a enfermeira Sheila, perguntou se eu conhecia o método  canguru. Falei que sim, que tinha lido sobre o assunto. O Flávio levou vários folder explicando sobre diversos serviços do hospital, ordenhar, canguru, prematuros, tudo estava sendo explicado nos folders. Porém, torcia pelos dois meses passarem rápido para eu poder fazer o canguru com a Mariana. Foi quando ela disse que não precisava de todo esse tempo. Acho que estava no décimo dia de UTI, ela perguntou para o pediatra Dr. Paulo, se eu poderia fazer o canguru. Ele respondeu que sim, então minhas pernas tremeram, pois senti que estava próximo da primeira vez que teria minha filha nos braços. A técnica em enfermagem Sheila pediu para eu trocar a roupa enquanto ela preparava o bebê (tinha muito fios e ligações de equipamentos que tinha que ser cuidadosamente colocados).
Mãe Canguru
Fiz a troca de roupa e sentei na poltrona e fiquei esperando. Quando senti a Mariana no meu peito um silencio se fez ao redor. Era como só existisse eu e ela. Ela fazia aqueles sons de bebezinho e lagrimas rolavam do meu rosto. Pois, ali senti o que é ser mãe. Ali eu tive a cena que costumava ver nas retrospectivas das minhas clientes; quando o bebê após nascer é colocado ao lado da mãe para sentir o seu calor. Foi mágico!