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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Capitulo 2 - Um Tsunami chamado Mariana

Sexta-feira, 11 de Março de 2011


Na manha da sexta-feira, as 8:00 estava me servindo o café da manha junto com a minha irmã Ana. Dei a primeira mordida no pão e um gole no café com leite. Quando de repente entra a Dra. Samira para exames matinais. Eu já me adiantei, falando que todos os médicos estavam evitando fazer o exame de toque para não estimular o parto. Mas esse argumento não colou  com ela, foi necessário parar de tomar o café para ser examinada.
Após o exame ela tirou as luvas olhou para mim e disse: - “ Nós vamos agora para o CO (centro obstétrico), pois você tem oito dedos de dilatação e não podemos esperar, o parto vai ser agora!” Como não tinha recebido o resultado do exame referente a uma bactéria que até hoje não sei falar o nome, tive que tomar o antibiótico as 9:00 e esperar por quatro horas para ter o efeito da dose. Ai essas quatro horas foram de pura emoção.
Eu tive tempo de fazer apenas uma ligação para meu esposo e avisá-lo que estava a caminha da sala de parto para ter a Mariana. Ele do outro lado do telefone só disse: - “ Vixe vou correr para chegar ai a tempo.” Estamos em São Paulo e o transito anima qualquer pessoa quando tem pressa. Foi à sexta-feira mais intensa da minha vida, minha irmã Ana Kelly me olhava e a cada contração acho que ela queria enfartar, acho que eu fiz varias caretas. Ela saiu da sala de pré parto para me esperar no quarto, lembro que na noite anterior nos passamos à madrugada rezando com minha mãe no telefone, pois já estava em trabalho de parto e nem desconfiava. Pode pensar gente... era a mãe de primeira viagem mesmo,rsrsrs
O Flavio chegou na sala e comentou que minha amiga Daniela tinha passado no quarto e deixado uma lembrança para Mariana, mais tarde ela me disse que fez um barraco com o segurança para poder entrar na sala de pré parto, pois ela achava que eu estava sozinha. Só ela mesma, rsrsrs Imaginei a cena, ela com um bebê de quatro meses nos braços (Fernanda) e uma bolsa enorme do outro e com seus 1, 55 de altura brigando com o segurança. Valeu Dani a tentativa!
Ah! Meu esposo chegou super tranqüilo na sala , ou pelo menos, passou esta informação no seu semblante. Entre uma contração e outra ele resolveu puxar papo, e disse: “ Você viu o que aconteceu com o Japão?” Na hora pensei, no mínimo um terremoto. Então me adiantei, me fale de flores, de coisas bonitas da vida, mas não de coisas ruins! Mas ele continuou o Tsunami acabou com o Japão! Ai, eu tive certeza que ele estava nervoso e muito ansioso.
A cada hora a enfermeira Patrícia vinha ver como estava a situação. E ao fazer o exame de toque ela sentiu que o bebê tinha descido mais um pouco. Então ela decidiu pegar mais travesseiro para deixar a cintura mais alta para segurar um pouco a criança, pois o parto seria cesariana. Foi uma corrida, pois Mariana queria nascer a qualquer custo, rssrsr
Chegou a hora, as 13:30, Mariana dava os primeiros choros e eu e o Flavio também! Ali começava a grande aventura de ser mãe de prematuro extremo. Esse blog foi nomeado como Mãe amor extremo, pois hoje sei responder a pergunta da psicóloga Solange. Sim! Estou pronta para ser mãe de prematuro!
Não pude sentir minha filha no primeiro momento, mas vi a pediatra Tatiana passar com ela nos braços do meu lado. Mariana estava da cor de uma berinjela.  A anestesista Rita, quando viu minha expressão logo lançou a seguinte frase que levo até hoje na mente: - “ As crianças nascem assim, parecendo uma berinjela para depois tornar um moranguinho”. Então pensei que fosse normal criança nascer daquela forma.
Depois do parto e depois de passar anestesia, meu esposo estava na UTI Neonatal para receber informações da Mariana. Ele veio até o quarto com uma foto no celular com leve tratamento de cor. Ele logo disse, “Ela esta bem, mas não esta desta cor, esta um pouco escura. E falou: - “Perguntei para os médicos quais as chances de sobrevivência e eles disseram que dependerá do bebê”. Inconscientemente, resolvi ser ou ficar alienada daquele momento em diante. Hoje, percebi que fiz isso e foi bom por um lado, ou seja, não tinha percebido que ela estava entubada e não perguntava muito só acreditava que tudo daria certo, Mariana estaria bem e viveria.

2 comentários:

  1. Olá Leila! Lembro exatamente do ocorrido naquela manhã e da sua carinha surpresa com a notícia. Apesar do nervosismo, você parecia bem confiante e animada com a vinda próxima da sua filha. Fiquei feliz de ver relatada a minha participação nesse momento especial da sua vida. E mais feliz ainda por saber que estão todas muito bem.
    Felicidades, saúde e muitas alegrias à família!
    Abraços,

    Samira

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    1. Dra Samira, que honra ter a sua visita no blog! Puxa vida, fiquei emocionada agora. Veio um flash daquela manhã na minha cabeça. Hoje, a Mariana esta ótima! se desenvolvendo. Que alegria, obrigada, obrigada, obrigada, por tudo! Por aquela manhã! Tudo foi maravilhoso graças a Deus e as suas mãos.

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