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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Capitulo 4 - Hospital Santa Catarina - Melhor UTI Neo do Brasil

O Hospital Santa Catarina foi fantástico, pois tinha alimentação (café, almoço, lanche e janta), para as mães de UTI, uma sala de descanso e um armário. Isso foi muito importante, pois só tinha que me preocupar em aumentar a tiragem de leite. Na primeira vez que fui ordenhar, tirei 20ml de colostro, mais tarde vocês irão entender porque desta informação.

Ah! Tudo era comentado na sala da ordenha, médicos, enfermeiras, evolução dos bebês e outras historiam de vida. Lembro que a mãe do bebezinho Leo tinha perguntado se eu era a mãe do prematuro de 27 semanas, pois há uma semana todos estavam me esperando. Ai veio à pergunta da psicóloga na minha cabeça. Ou seja, só eu achava que ficaria na cama por dois meses, todos tinham certeza que a qualquer momento era hora do bebe nascer.
Todos os dias eu chegava as 6:30 da manha na UTI e saia as 22:30 ou mais. Algumas vezes meu cunhado Alexandre me levou por ser caminho do trabalho, outras vezes tentei ir de metro, loucura total.
Nas primeiras semanas ficava pensando na quarentena que não iria ter. Devido à cirurgia, eu andava muito devagar, teve um tempo que achava que era frescura minha, pois via as outras mães que tinha feito a mesma cirurgia andando normalmente.
Mas enfim, Mariana ficou 2 dias com ventilação mecânica para respirar, 2 dias com CPAP e depois ficou com o oxigênio da incubadora. Mariana foi receber a primeira dieta no terceiro dia de vida, até então ela estava de jejum. Fiquei feliz em saber que o primeiro alimento que ela recebeu foi o meu leite (colostro) 1ml para ser exato.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Capitulo 3 - Mãe de UTI Neonatal

Hoje eu sei que mães que passaram por 1 hora ou 1 ano numa UTI a sensação é a mesma! O medo, o susto e todas as dúvidas faz a cabeça rodar 360 graus.
As 3:30 da manha fui até a UTI Neo com minha mãe de cadeira de rodas para ver pela primeira vez a Mariana. Ao chegar lá, minha mãe passou mal e pediu para sentar. Eu não tinha dado muita atenção para a situação. Só olhava para incubadora e falava para Mariana o quanto ela era linda e forte e que amava muito. Voltei para o quarto e liguei para o Flavio, falando que tinha visto ela e que estava bem! Ele estava preocupado achando que eu iria surtar ao vê-la roxa e com tubo de respiração.
No dia seguinte, meu esposo foi a UTI Neo e tomou um susto, pois tinham mudado a Mariana de lugar. Acho que ele pensou o pior! No mesmo dia recebi as instruções da enfermeira para fazer ordenha para tirar o leite para o bebê. Então, pensei vou ser útil aqui do lado da Mariana vou fazer a minha parte e hoje é tirar o leite para ela.
Chegando na sala de ordenha fui recepcionada pela Sandra, ela foi explicando como era o procedimento de higiene e troca de roupa para fazer a ordenha. Quando cheguei na sala, tinha mais mães que estavam conversando animadas, trocando informações de seus bebês e tudo mais. Eu só pensava: -” Não vou conversar com ninguém, vou me concentrar para que meu leite saia abençoado por Deus e que será o remédio para Mariana crescer e se desenvolver o mais rápido possível”. Repeti isso durante todo o tempo que estive ordenhando. Tinha até a oração do leite: Esse leite é abençoado por Deus que irá curar, salvar e libertar a Mariana de todo o mal.
Eram muitas informações que recebi no inicio, como tinha que fazer a higiene das mãs, avental para ficar próximo a incubadora.
É o olho da mãe que engorda o bebê!
       (Lembro de uma mãe que teve o bebe prematuro de 26 semanas e fez todo o procedimento de lavar as mãos, usar avental e sentar do lado da incubadora. Foi até engraçado o jeito que a mãe falou. Ela disse que após fazer todo o procedimento ela olhou para os lados e viu que as outras mães estavam com os seus bebês no colo. Logo, ela pensou, bom vou pegar o meu bebê também. Então ela sentou abriu os braços e ficou olhando para a técnica de enferamgem. O que ela ouviu da técnica: - "Pode olhar!" E assim, que nós ficamos fazendo o tempo todo numa UTI Neo, olhamos todo mundo por a mão e nós no máximo lambemos a incubadora, rsrsrsr)
O dia da alta hospitalar é o pior dia para mãe que sabe que vai deixar seu bebê no hospital. Eu chorava muito no dia da alta, não sabia como seria da li para frente. Eu tinha comigo que sairia do hospital com minha filha nos braços. E não era isso que estava acontecendo.
Acostumar com a idéia de ir para casa sem a Mariana foi doloroso nos setenta e cinco dias que tivemos que ir para o hospital e voltar para casa. No dia de ir embora, prometi para Mariana que todos os dias estariam ao lado dela rezando para ela superar todas as dificuldades.


Mariana com o CPAP ficou 2 dias com isso.
Na verdade não sabia o que viria pela frente, mas como uma das mães falava: “- Ser mãe de UTI e como subir as escadarias da Igreja da Penha do Rio de Janeiro. Não pode olhar o quanto irá subir, mas o próximo degrau.” Tinha uma longa caminhada pela frente que sinceramente não tinha ideia do que seria. Ela passou por entubação, CPAP, NPP (cateter para alimentação), transfusão de sangue, apneia,  fechamento cirurgico do Canal Arterial, desmamar do oxigenio, aprender a comer pela boca, mamar no peito e por fim ir para a casa. Ufa! Eu conseguirei!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Capitulo 2 - Um Tsunami chamado Mariana

Sexta-feira, 11 de Março de 2011


Na manha da sexta-feira, as 8:00 estava me servindo o café da manha junto com a minha irmã Ana. Dei a primeira mordida no pão e um gole no café com leite. Quando de repente entra a Dra. Samira para exames matinais. Eu já me adiantei, falando que todos os médicos estavam evitando fazer o exame de toque para não estimular o parto. Mas esse argumento não colou  com ela, foi necessário parar de tomar o café para ser examinada.
Após o exame ela tirou as luvas olhou para mim e disse: - “ Nós vamos agora para o CO (centro obstétrico), pois você tem oito dedos de dilatação e não podemos esperar, o parto vai ser agora!” Como não tinha recebido o resultado do exame referente a uma bactéria que até hoje não sei falar o nome, tive que tomar o antibiótico as 9:00 e esperar por quatro horas para ter o efeito da dose. Ai essas quatro horas foram de pura emoção.
Eu tive tempo de fazer apenas uma ligação para meu esposo e avisá-lo que estava a caminha da sala de parto para ter a Mariana. Ele do outro lado do telefone só disse: - “ Vixe vou correr para chegar ai a tempo.” Estamos em São Paulo e o transito anima qualquer pessoa quando tem pressa. Foi à sexta-feira mais intensa da minha vida, minha irmã Ana Kelly me olhava e a cada contração acho que ela queria enfartar, acho que eu fiz varias caretas. Ela saiu da sala de pré parto para me esperar no quarto, lembro que na noite anterior nos passamos à madrugada rezando com minha mãe no telefone, pois já estava em trabalho de parto e nem desconfiava. Pode pensar gente... era a mãe de primeira viagem mesmo,rsrsrs
O Flavio chegou na sala e comentou que minha amiga Daniela tinha passado no quarto e deixado uma lembrança para Mariana, mais tarde ela me disse que fez um barraco com o segurança para poder entrar na sala de pré parto, pois ela achava que eu estava sozinha. Só ela mesma, rsrsrs Imaginei a cena, ela com um bebê de quatro meses nos braços (Fernanda) e uma bolsa enorme do outro e com seus 1, 55 de altura brigando com o segurança. Valeu Dani a tentativa!
Ah! Meu esposo chegou super tranqüilo na sala , ou pelo menos, passou esta informação no seu semblante. Entre uma contração e outra ele resolveu puxar papo, e disse: “ Você viu o que aconteceu com o Japão?” Na hora pensei, no mínimo um terremoto. Então me adiantei, me fale de flores, de coisas bonitas da vida, mas não de coisas ruins! Mas ele continuou o Tsunami acabou com o Japão! Ai, eu tive certeza que ele estava nervoso e muito ansioso.
A cada hora a enfermeira Patrícia vinha ver como estava a situação. E ao fazer o exame de toque ela sentiu que o bebê tinha descido mais um pouco. Então ela decidiu pegar mais travesseiro para deixar a cintura mais alta para segurar um pouco a criança, pois o parto seria cesariana. Foi uma corrida, pois Mariana queria nascer a qualquer custo, rssrsr
Chegou a hora, as 13:30, Mariana dava os primeiros choros e eu e o Flavio também! Ali começava a grande aventura de ser mãe de prematuro extremo. Esse blog foi nomeado como Mãe amor extremo, pois hoje sei responder a pergunta da psicóloga Solange. Sim! Estou pronta para ser mãe de prematuro!
Não pude sentir minha filha no primeiro momento, mas vi a pediatra Tatiana passar com ela nos braços do meu lado. Mariana estava da cor de uma berinjela.  A anestesista Rita, quando viu minha expressão logo lançou a seguinte frase que levo até hoje na mente: - “ As crianças nascem assim, parecendo uma berinjela para depois tornar um moranguinho”. Então pensei que fosse normal criança nascer daquela forma.
Depois do parto e depois de passar anestesia, meu esposo estava na UTI Neonatal para receber informações da Mariana. Ele veio até o quarto com uma foto no celular com leve tratamento de cor. Ele logo disse, “Ela esta bem, mas não esta desta cor, esta um pouco escura. E falou: - “Perguntei para os médicos quais as chances de sobrevivência e eles disseram que dependerá do bebê”. Inconscientemente, resolvi ser ou ficar alienada daquele momento em diante. Hoje, percebi que fiz isso e foi bom por um lado, ou seja, não tinha percebido que ela estava entubada e não perguntava muito só acreditava que tudo daria certo, Mariana estaria bem e viveria.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Capitulo 1 - Do fim para o Começo - Mariana chegou em casa!

Hoje é o dia que começaremos nossas vidas. Meu esposo Flavio, minha filha Mariana e eu saímos do Hospital Santa Catarina no dia 20 de maio de 2011 as 13:00hs, não conseguimos passar na Capela do Hospital por segurança e política do hospital. Despedimos de todos da UTI Neonatal e seguimos para o saguão. Entramos no carro, seguimos pela Av. Paulista e viramos na Rua Teixeira da Silva. Esse cruzamento ficará marcado para sempre em nossas vidas. Mariana estava no bebe conforto no seu sono tranqüilo, alguns raios de sol batiam em seu rosto, olhei para ela e uma lagrima caiu. Flávio, meu esposo, pelo retrovisor me viu e falou: - Deu até vontade de chorar! Chorando eu disse; - Chora, não tem ninguém vendo! E foi assim que começamos nossas vidas, chorávamos como criança.  Era  um choro de alegria, um choro de emoção por voltarmos para nossa casa com nossa filha. Pois, até aquele momento não tínhamos essa certeza de levá-la para casa saudável com aqueles olhos lindos e sorridentes.
Nossa história começou numa sexta-feira de carnaval, dia 4 de março, estava no pronto socorro do hospital Santa Catarina com dores que pareciam cólica menstrual. Fiz alguns exames e num ultra-som foi constado que estava com gravidez de risco e que tinha que ser internada imediatamente.
Quando é para acontecer algo diferente ele vem por completo. Se você já precisou de hospital em véspera de qualquer feriado sabe do que estou escrevendo. Numa sexta-feira de carnaval, todas as mulheres de São Paulo resolveram parir naquele dia. Ou seja, eu e meu esposo começamos a ligar para alguns hospitais que aceitava o meu convenio, mas todos estavam lotados. Respiramos fundo e entregamos na mão de que resolveria esta questão, eu só pedi a Deus que gostaria de ficar no Hospital Santa Catariana e que ELE resolveria o resto.
Ao voltar ao Centro Obstétrico, esperamos o resultado numa sala, estávamos  apreensivos, pois não sabíamos para onde iríamos, já que o Hospital Santa Catarina estava lotado. Foi quando, a enfermeira Dulce entrou na sala aos pulos e muito feliz dizendo que uma paciente tinha pedido transferência e que um quarto tinha sido desocupado. 
 
Quarto 717
Quando recebi a noticia que iria ficar internada até o parto, eu tinha comigo que iria ficar dois meses de repouso absoluto. Ou seja, iria fazer tudo na cama: banho, numero 1 e 2, comer etc. A meia noite do dia 5 de março tomei a primeira injeção de corticóide, para preparar os pulmões do bebê a segunda dose viria no dia seguinte. Ah! Doe muito, mas era para o bebe então tomei a injeção com sorriso no rosto.  Passou na minha cabeça a ultima semana fora do hospital, as coisas que tinha que fazer e as que não fiz. Dessas coisas, só arrependo-me de não ter entendido o meu obstetra de que tinha que fazer repouso absoluto, pois estava tendo contrações de parto, resumindo trabalhei normalmente sem o tal repouso absoluto. Na ultima consulta de pré natal, meu obstetra tinha passado alguns medicamentos para  retardar os sintomas de parto. Quando recebi a noticia, que estava em trabalho de parto, comecei a chorar. Pensar em um parto  na 25ª semana de gestação era desesperador.Mas tarde entendi o que era repouso absoluto. 
Estava lá no quarto dependendo de ajuda de todos os familiares, irmãs, cunhada e até amigos que foram me visitar sobrou uma  ajuda para o xixizinho, Marcia Kato que o diga, rsrsrr!
Quando  ficamos doente percebi que ficamos mais exigente e não podemos reclamar de nada. Minha irmã Lilian, fazia piada de tudo inclusive das minhas chatices. Ela falava que se sou assim agora, imagina quando estiver idosa! Isso tudo porque queria comer com colher de metal e não de plástico, que tinha que colocar na posição de frente a comida na minha boca e não na lateral pois iria engasgar. Ah! As noites para o meu esposo Flavio eram terapia do susto, toda hora chamava ele para alguma coisa. Eu só tenho que agradecer pela paciência de todos e pelas profissionais que cuidaram de mim, principalmente as enfermeiras Andrea, Léia  e Ana Claudia sempre com bom humor e muito carinho elas cuidavam de mim.
Na quinta-feira, dia 10 de março, conheci a psicologia Solange, logo imaginei...- “ Que maravilha, tem o cuidado para a mãe não pirar nesses dois meses de gestação numa cama”.
Ãhann! Mal sabia que todos estavam esperando só o momento do bebê nascer. E isso poderia acontecer a qualquer momento, só eu achava que ficariam dois meses na cama. Uma das perguntas que ela fez na visita, lembrando que estávamos a um dia do parto, era se estava pronta para ser mãe de bebê prematuro. Na hora me emocionei e disse que preparada não estava, pois esperava uma gestação normal, mas que tinha fé em Deus que tudo será do jeito que ELE escreveu.
Eu e meu esposo tomamos algumas decisões juntas, pois a vida continuava fora do hospital e tínhamos uma empresa para tocar. Decidimos comprar um moldem para o acesso de email no hospital, desta forma daria para passar minhas atividades para ele.